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"Basta acreditar para que existam"...

"Basta acreditar para que existam"...

Chupeta... a tua grande amiga

Gosto tanto desta fotografia. Quase tanto como gostava quando dizias “tira mamã, tira ‘fias’ à Puky”. Quase tanto como gostava de te ver dormir. Quase tanto como gostava de te ver de chupeta.

Sim, usaste chupeta até te cair o primeiro dente. Apesar das vozes dos “especialistas” em matéria de chupetas e crianças, usaste-a porque tu gostavas e porque eu só queria o que te fizesse sentir bem. E a chupeta fazia-te sentir tão, mas tão bem. E não a usavas só para adormecer. Tinhas toda a liberdade para a usar quando quisesses e te apetecesse.

Sabes, já te disse isto várias vezes, mas eu compreendia-te. Usei chupeta até quase ir para a escola. Lembro-me tão bem da tristeza que senti quando percebi que tinha de deixar a chupeta. Uma vez a avó, em conversa com outras pessoas sobre as histórias que contaram aos filhos quando foi altura de deixar a chupeta, disse não se lembrar do que tinha inventado. Respondi-lhe que não tinha inventado nada. Lembro-me tão bem, e não devido á idade que tinha mas porque foi das coisas mais dolorosas da minha infância. Como eu já era “crescida” a conversa foi que, a partir daquele dia, eu tinha de deixar a chupeta porque estava quase a ir para a escola. Lembro-me de pensar qual era a relação entre uma coisa e a outra mas depressa desisti porque, além de não fazer sentido para mim, se a avó dizia que era assim era assim e pronto.

Por isso, deixei que usasses chupeta sempre que querias. Andavas com ela, quando não estavas no jardim de infância, dias inteiros, só dormias com ela e, quando durante o sono a perdias, era delicioso ver-te de olhos fechados, completamente a dormir à procura da chupeta e a coloca-la na boca. E era a noite toda nisto porque a safada da chupeta teimava em cair da tua boquinha. 

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Mas, como tudo na vida, a chupeta não poderia durar para sempre. Com muita pena minha, combinei com o pai que a altura de tirar a chupeta era quando te caísse o primeiro dente. E assim foi… mais ou menos.

Numa noite quente de verão, comias um gelado enquanto vias televisão na sala. Fui ao quarto e tu chamaste-me. Sem tirares os olhos da televisão, com a boca e o queixo cheios de gelado e sangue, estendeste a tua mãozinha e disses-te: “toma mãe, é o meu dente”. Num misto de alegria e tristeza, peguei no teu dente, coloquei-o num guardanapo e, enquanto te limpava, pensava que estava na hora da conversa sobre a chupeta.

Tive de encontrar uma estratégia para te convencer a ti e a mim, também. Liguei o computador, fui ao google e procurei as imagens das piores dentições possíveis e imaginárias. Depois, ilustrada por essas imagens, falei contigo e disse que estava na altura de deixares a chupeta para não ficares com os dentes como aquelas pessoas. E não te consegui encarar. Não consegui olhar nos teus olhos e ver a tua tristeza e tu veres o quanto eu mentia.

Pediste-me para dormir com ela só mais aquela noite. Deixei. E prometi que iria comprar uma bolsinha para a colocar e combinámos que, a tão adorada chupeta, iria pernoitar na bolsinha, debaixo da almofada. A bolsinha com a chupeta debaixo da almofada e o ursinho sempre ao teu lado.

Foste de fim de semana para o pai e, quando chegaste, disseste-me que já não dormias com chupeta… e pediste-me que te deixasse dormir com ela. Então, mostrei-te a bolsinha que tinha comprado, colocas-te lá a chupeta, depois de te despedires dela, e levaste-a para debaixo da almofada, como o combinado. A minha menina pequenina sempre tão crescida.

Ainda hoje guardo a chupeta dentro da bolsinha. Ainda hoje o ursinho dorme na nossa cama.

Nesta fotografia o ursinho tinha “dói-dói” na cabeça. Hoje, tal como eu, o ursinho tem “dói-dói” no coração. E não há pensinhos para os nossos “dói-dóis”.

🦄 "Basta acreditar para que existam"... Catarina Matos

#eutenhoabailarinamaislindadomundo 

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